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26/02/2021 - 13h51

Melhor investimento da pandemia? CONFIANÇA!

Melhor investimento da pandemia?  CONFIANÇA!

A palavra confiança vem do latim. Na etimologia da palavra, temos vários significados bíblicos e populares. Confiança quer dizer acreditar plenamente, ter fé, ter lealdade, se entregar plenamente à uma ideia ou pessoa. Bem, você conhece pessoas ou ideias a quem você pode atribuir a palavra confiança?
O que temos em comum em pessoas que se casam, moram em uma casa que não construíram, vão à um médico que nunca viram, e investem em ouro?
A resposta é confiança. Casam-se com quem entregam seu destino para ser compartilhado. Moram em uma casa que, na teoria, confiaram à um engenheiro para construir. Confiam que o médico que os assiste terá competência para cuidar deles, e aplicam em ouro por confiarem no histórico do metal, que tem estabilidade ao longo de séculos de tradição em investimentos.
O mercado global, tanto o financeiro quanto da economia real, estão carentes de confiança. As incertezas que cercam os rumos de decisões são grandes. Quando a população estará vacinada contra a COVID-19? Quando a pandemia estará sob controle? Quando as economias pararão de terem restrições e lockdown? Quando, quando, quando? 
Como se não bastasse as incertezas criadas pela pandemia, ainda somo presenteados pela desconfiança no Brasil. Temos um poder legislativo que, na calada da noite, agiliza uma PEC para ampliar a blindagem e a imunidade parlamentar. Para isto eles viram até madrugadas nas sessões. Temos sinais nos últimos anos de traços de uma ditadura velada do judiciário, que é a pior de todas. Se tivermos uma coação de direito à liberdade de expressão, recorreremos a quem?  E temos um poder executivo que está mais preocupado com a queda de popularidade, de olho em 2022, do que no enfrentamento e gestão de crise. Quando falo dos três poderes, falo nos âmbitos federal, estadual e municipal. O que interessa aqui é a falta de confiança gerada nas instituições, que existem para proteger os interesses da população.
Na macroeconomia temos vários índices para acompanharmos a economia, porém o índice de confiança, seja do consumidor, do empresário ou comerciante, é o mais relevante atualmente. Quem investiria em formação bruta de capital fixo (investimentos em bens de produção) investiria em abrir um comércio, ou até em papéis e títulos de empresas e governo, quando o índice de confiança está tão baixo?
Como fugir de uma variação cambial de 2% em uma única sessão de um dia? O que temos visto em 2020, e deve se repetir em 2021, será uma realocação de capital em poucos setores, como a cadeia alimentícia, farmacêutica, logística e imobiliária, por exemplo.
Vemos um aumento exponencial de desinvestimento no Brasil, e importando, como sempre na história, produtos industrializados e inflacionados pelo câmbio desvalorizado, ou seja, além de não produzirmos nada, importamos inflação para nossa população.
Na desconfiança, pegando a analogia do início, não seria melhor se separar, mudar de casa, trocar de médico, e trocar de investimentos? Confiança é um dos bens mais caros da humanidade. Uma vez perdida, para ganhar novamente vai muito tempo. Na falta de confiança nas nossas pseudo lideranças públicas e até privadas, devemos partir para a autoconfiança. Acreditando mais em nós mesmos. Sermos mais assertivos, mas inspiradores, mais empreendedores. Se tivéssemos mais autoconfiança, nossa nação teria mais pessoas trabalhando, mais poupança para passar por turbulências como esta que o mundo está passando. Teríamos mais inteligência para discernirmos e cobrarmos dos órgãos públicos, ajudaríamos a economia nas microrregiões que moramos, teríamos mais compaixão com o próximo, e seríamos um povo mais feliz.  Independente do isolamento social ser útil ou não, que seguíssemos a orientação de infectologistas, que são na maioria imparciais. Que saíssemos apenas para o essencial, como os que precisam ir para rua trabalharem, mas que não se aglomerassem por quaisquer outros motivos, como festas ou encontros religiosos, pesar de sentirmos muita falta, e eu me incluo. Não falo aqui sobre a individualidade como saída da crise, mas nos conceitos bíblicos e filosóficos já se escutavam frases como “maldito é o homem quem confia no homem”, ou “o homem é o lobo do próprio homem”. Portanto, confiar em alguém é caro e demorado. Para agilizar a normalidade, confie em você mesmo!

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Texto publicado por Sidnei Bertinato da Silva
MBA em gestão de organizações pela FGV ,e graduado em Relações Internacionais pela UTP
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