08/03/2021 - 13h34

"Lok e Down"

Em um insight nostálgico, lembrei que, a uma década atrás, o PIB brasileiro estava em sétimo lugar no ranking global. Hoje, infelizmente, caímos para 12º e há expectativa negativa de cairmos para 14º ou 15º em 2022
Parte do encolhimento, claro, veio da pandemia. Para minimizarmos esse impacto negativo na economia, retomar o crescimento econômico e não perdermos de vista a questão quase humanitária que presenciamos, precisamos rever a importância do ser humano no contexto.
O capital financeiro, se não controlado, é voraz e não tem pátria. Ele aniquila nações e economias inteiras. Mão não esqueçamos que, sem capital humano, não há geração de riqueza e, por consequência, alimento para o capital financeiro.
Na pandemia temos um paradoxo absurdo no comportamento humano, e que está desestruturando a estratégia de guerra do capital humano versus o capital financeiro. De um lado, pessoas que dedicam a vida à ciência conseguem um recorde histórico, e que não são reconhecidos. Em menos de um ano se cria uma vacina, quando o tempo médio seria de 4 anos e, em algumas doenças, não há vacinas até hoje. Do lado desse grupo há “simpatizantes” da causa do isolamento social, cuidados sanitários e outros hábitos para controlar a pandemia, e que apoio. Do outro lado, há as pessoas que querem a economia a pleno vapor, e afirmam que a sociedade não pode parar, senão setores da sociedade e pessoas morrerão, e que tem um fundo de muita, muita verdade mesmo e que apoio também. Então eu estou em cima do muro, querendo agradar todos?
O paradoxo acima consiste no fato de que, apesar de pensamentos e estratégias contraditórias, e totalmente antagônicas, os dois lados estão certos nas suas argumentações.
Vejam o exemplo do aumento da geração “nem nem nem”(nem estuda, nem trabalha e nem procura emprego). Com escolas fechadas ou impossibilitados de pagar pela mesma, com o desemprego em alta, e com as orientações de não sairem de casa para não passar coronavírus para seus pais e avós, como motivar este jovem a se levantar em uma segunda feira e falar “vai à luta”? Qual o futuro desta geração, que já pode ser considerada perdida? E não adianta falar que “no meu tempo eu me virava”, porque no seu tempo não houve uma pandemia com orientações tão adversas ,e formadores de opiniões tão incoerentes.  Óbvio que temos que encarar as adversidades do tempo em que vivemos, mas não temos como apontar saídas com base em experiências recentes, mesmo porque não as tivemos. Portanto, temos que nos reinventarmos.
O brasileiro se acostumou a deixar para fazer tudo em cima da hora, o chamado “apagar incêndio”. Precisamos ver o colapso da saúde para serem decretados lockdown em vários lugares. Ou seja, se a pessoa não sofre nos hospitais, sofrerá em casa na ociosidade. Sabem aquela frase que diz que “mente vazia é oficina do diabo?
Que façamos uma unidade coerente. Abrimos mão, temporariamente, de aglomerações, para evitarmos o radicalismo que é um lockdown.
A empatia faz a diferença em lugares onde a pandemia está sob controle. E também conhecimento de que nenhuma vacina cura, mas nos dá a possibilidade de pegarmos o coronavírus sem termos a preocupação de ser letal, faz com quem “saiamos à luta”. Se você, formador de opinião, que é empreendedor, empregador, empresário, empregado ou profissional liberal, considerando que não tenha renda passiva e perdesse a renda ativa, já saberia do que viveria? Na dúvida, independente, de ser negacionista da pandemia, ou defensor assíduo das medidas sanitárias, pense no menor déficit econômico e mental. Qual impacta menos agora? Um isolamento social, com máscaras e muito álcool gel, ou o lockdown, com restrições severas?
Para mim, o lockdown é uma medida pertinente em casos graves. Pode ser usado, mas melhor ser evitado. Não quero ver as pessoas e a sociedade “lok”, e muito menos “down”.

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Texto publicado por Sidnei Bertinato da Silva - consultor
MBA na FGV em gestão estratégica de organizações, e graduado em Relações Internacionais pela UTP

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