Base de Câmbio

05/04/2019 - 08h15

O Céu Ficou Nublado

O Céu Ficou Nublado

O primeiro trimestre de 2019 ficou marcado para o mercado financeiro brasileiro como o período em que pela primeira vez na história o índice Ibovespa alcançou o patamar de 100 mil pontos. Porém não foi só de euforia que vivemos nesse inicio de ano. Se por um lado as expectativas foram grandes, por outro as decepções também.
As indefinições sobre a reforma da Previdência Social e a atividade econômica se mostrando cada vez mais lenta do que o esperado pelo consenso de mercado trouxeram um certo pânico aos principais players e investidores e levaram novamente a moeda norte americana bater no patamar de R$ 4,00.
No curto prazo temos que esse cenário interno continuará com essa forte turbulência, visto que o atual governo vem demonstrando sérias dificuldades em fazer seus ajustes na esfera politica e, tudo piora quando adicionamos na balança os perfis ativistas que seus membros utilizam em redes sociais. Os desgastes que qualquer novo governo tem ao assumir seu mandato passam a ter um caminho ainda mais esburacado quando assuntos pessoais são levados a público e, de certa forma, até de maneiras infantis, mostrando fragilidade e desviando o objetivo, que é dar sequencia aos compromissos da agenda para que o país retome os trilhos na direção de equilibrar as contas públicas.
No cenário externo as medidas econômicas do Federal Reserve tomadas em março devem contribuir para que tenhamos uma melhora no ambiente global, onde os principais índices acionários acumularam altas acima dos dois dígitos no período. A China ainda segue sendo uma incógnita, pois os últimos indicadores mostram que a segunda maior potencia mundial está numa fase de estabilização e, quem sabe, poderá retomar o caminho ascendente já no inicio do segundo semestre.
Para nós, a boa notícia no comunicado do FED foi que o principal Banco Central do mundo não considera mais subir os juros nos Estados Unidos esse ano e, provavelmente, nem ano que vem. Além disso, uma redução no balanço que vinha afetando a liquidez dos mercados dos países emergentes deverá ser interrompida nos próximos meses.
Com cautela no curto prazo e conservador nas futuras decisões politicas, mantemos um tom otimista para o Real até o final de 2019, com picos de quedas no dólar mais acentuados dos que vimos nesse passado recente. Já para o crescimento da nossa economia, uma grande parte das casas de análises e muitos dos principais economistas do país já consideram um PIB abaixo dos 2%.
 

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