25/01/2021 - 22h09

Coronavírus: A COVID é a doença mesmo?

Coronavírus:  A COVID é a doença mesmo?

Na semana passada uma música me veio à cabeça. O título é “pare o mundo que eu quero descer”. Acredito que esta frase está em muitos pensamentos, diante do que estamos vivendo .
Coronavírus, lockdown, IFA(insumo para vacina), proteína spike, PCR e linfócitos. Vocábulos que saíram do meio científico diretamente para a boca do povo a quase um ano. E, por falar em ano, estamos em 2021 e as dúvidas continuam. Isolar ou não? Pegar COVID e arriscarmos se teremos uma “gripezinha” como foi com a maioria, ou ficaremos em UTI? Ficar em casa sem renda, sem emprego, sem estudo presencial, ou simplesmente ocioso; correndo o risco de adquirir ou potencializar uma hipertensão, diabetes ou síndrome do pânico.
Se a taxa de letalidade e sintomas mais graves é baixa para a maioria das pessoas, não foi o caso do caos em Manaus, com pessoas implorando e pagando caro pelo ar que respiram. Ainda no ritmo da música que falei acima, lembrei que ela fala no refrão: “ter que pagar pra nascer, ter que pagar pra viver, ter que pagar pra morrer”. Estas frases nunca foram tão atuais. Afinal, até o oxigênio, o ar que respiramos,  não tem sido de graça
Quem é o culpado pela, no mínimo irônica para não falar trágica, ausência de oxigênio em Manaus? Ah, essa é fácil!  Foi o governo federal atual que não fez nada pelo brasileiro. Não! Eu errei. Foram os governos anteriores recentes que construíram estádios e obras faraônicas para a copa de 2014, ao invés de hospitais. Eita, me equivoquei de novo. Agora vai! A resposta está na operação sangria da PF de Junho de 2020. As investigações e suspeitas de desvio de recursos destinados à crise da pandemia recaíram sobre o governador do Amazonas, secretária da saúde e outras pessoas do staff político estadual. A suspeita foi “só” porque compraram respiradores superfaturados através de uma importadora de vinhos. Quem nunca?
E não culpemos a própria população. Não é porque não respeitaram o isolamento, não usaram máscaras, alguns esconderam cilindros de oxigênio para vender mais caro, que podemos acusar. Além disto, quantos brasileiros, efetivamente, respeitaram o isolamento na virada do ano? Parece batido, mas a frase bíblica cristã “quem não tem pecados, que atire a primeira pedra”, resume todas as alternativas acima.
OK! E o que tudo isto tem a ver com a tendência da economia? A ciência econômica, em uma das suas definições, estuda o comportamento humano visando a produção, distribuição e o consumo de bens e serviços necessários à sobrevivência e à qualidade de vida. Para o Brasil melhorar a sua macroeconomia, não adianta o posto ipiranga fazer planos mirabolantes, ou buscarem a imunização para ontem. Estamos carentes na sociedade de bons exemplos e lideranças que norteiem a insegurança jurídica, o medo de investimentos, e os cuidados com a saúde. E então? A COVID é a principal enfermidade que o coronavírus nos apresentou?

Sidnei Bertinato da Silva
MBA pela FGV em gestão estratégica de organizações e graduado em Relações Internacionais
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